sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Catarina Martins em debate na RTP N

CASA MUNICIPAL dos SABERES e das ARTES


Em 2005, na Campanha eleitoral autárquica, o Bloco de Esquerda propôs a criação de uma incubadora de microempresas dirigida aos mais desfavorecidos, nomeadamente desempregados(as) de longa duração e beneficiários do rendimento mínimo. Simbolicamente ocupámos as instalações da PSP que em breve iriam ficar devolutas com a saída das forças de segurança para novas instalações. O edifício é pertença da Câmara Municipal, esta poderia atribuir-lhe outra funcionalidade socialmente produtiva e ao serviço da comunidade e dos cidadãos. Pelas suas características de centralidade e de espaço poderia dar uma excelente Casa dos Saberes e das Artes.
Em 2009 renovamos a nossa proposta, porque pensamos que ela não só mantém actualidade como até encontra razões reforçadas que a justificam, perante a crise económica que vivemos.
Nos últimos anos no concelho de Coimbra encerraram dezenas de empresas, com particular incidência nos sectores da cerâmica e do têxtil, de onde resultou o desemprego de milhares de trabalhadores. Na sua maior parte são mulheres e homens entre os 35-50 anos, com baixa escolarização e fracas qualificações profissionais. Em Coimbra, não tem parado de crescer a pobreza e a exclusão social que anda de braço dado com o desemprego.
O combate ao desemprego, sobretudo o de longa duração, não se faz de grandes proclamações e promessas populistas, feitas em papel molhado, que desvanecem depois das eleições. A par de iniciativas estratégicas mais ousadas e capazes de atrair investimentos e desenvolvimento económico à cidade, é possível e exigível que se estruturem políticas locais capazes de gerar soluções que, não necessitando de grandes investimentos, apontem horizontes de esperança.

Os trabalhadores desempregados não precisam de esmolas, nem de acções de formação de pouca utilidade que em nada lhes resolvem os problemas. Eles têm um enorme potencial de saberes e experiências acumulados ao longo da vida que podem e devem ser valorizados. Transportam uma riqueza de capital humano e uma vontade que podem ser capitalizados, gerando pequenas iniciativas empreendedoras nas mais variadas áreas dos seus saberes e serviços. Para criar as suas microempresas, apenas necessitam de um apoio inicial e de retaguarda que os ajude a resolver problemas de instalação, de planificação, certificação, marketing e comercialização.

A Casa dos Saberes e das Artes, unindo vontades políticas e conjugando sinergias locais, poderá responder a estes e outros problemas, implementando uma verdadeira política de apoio à incubação de microempresas, abrindo novas perspectivas de futuro, nomeadamente a desempregados de longa duração.
Fica aqui a proposta e o desafio à futura Câmara Municipal, a quem também cabe dar respostas aos problemas de desemprego.

Do Programa do Bloco de Esquerda:
- Criar a CASA DOS SABERES e das ARTES: projecto de incubação e desenvolvimento de microempresas

Este projecto é particularmente direccionado para o apoio a desempregados de longa duração com iniciativa, boas ideias e projectos, mas que não possuem acesso ao crédito tradicional. A Câmara Municipal disponibiliza o espaço físico - Casa das Artes e dos Saberes - assegura as infra-estruturas necessárias e, em parceria com Instituições e Organismos públicos e privados (IEFP, Associação Nacional de Direito ao Crédito, IAPMEI, Centros de CRVCC, Politécnico, etc.) criará um Centro de Apoio Técnico que facultará aos interessados a colaboração de especialistas na elaboração de projectos a fim de serem submetidos ao apoio de financiamento de micro-crédito, bem como facultará formação adequada, certificação de produtos e serviços, apoio ao marketing e à distribuição/divulgação de produtos e serviços.
Numa cidade onde o desemprego de longa duração e baixas qualificações não pára de crescer, este projecto apresenta-se como um instrumento de combate à pobreza e à exclusão social, de criação de emprego e riqueza, abrindo uma janela de oportunidade a muitos desempregados.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

APOIANTE: JÚLIA GARRAIO


Os candidatos do BE mostraram que têm a ousadia de defender a cidade como espaço público, não se vergando a certos interesses privados que tanto têm feito pelo desordenamento territorial do nosso país. Por isso lhes dou o meu apoio.


Júlia Garraio, Investigadora

Intervenção de Serafim Duarte no Jantar de Apoiantes


No debate televisivo entre os candidatos das legislativas por Coimbra, o J.M Pureza, dizia, logo no início que era preciso ter memória, o mesmo é dizer que em processo de disputa política eleitoral é imprescindível fazer balanços, retirar ilações e, obviamente, apresentar propostas programáticas alternativas.

Nós temos memória e é importante que façamos balanço, especialmente numa altura em que uma boa parte do país parece sofrer de uma espécie de amnésia que enviesa a percepção das realidades e entorpece o espírito crítico, enfraquecendo a vontade de mudança.

Quem em Coimbra vive e trabalha, não pode deixar de constatar que esta cidade parece ter soçobrado num colete-de-forças que a impede de libertar as suas energias e desenvolver potencialidades. Tanto no plano económico como nos planos científico-cultural, ambiental, demográfico e urbanístico a cidade estagnou, perdeu energia, capacidade de atracção e de afirmação.

Coimbra é hoje uma cidade cada vez mais periférica no contexto das cidades médias nacionais e europeias. É uma cidade de futuro incerto, enquanto entidade agregadora à escala regional.
Sucessivos governos autárquicos, ora do PS, ora do PSD/CDS navegaram à bolina, fazendo uma gestão casuística sem qualquer visão estratégica, nem projecto de desenvolvimento que potenciasse todas as suas energias e capacidades criativas, conferindo-lhe protagonismo e singularidade identitária.

Foi assim, que sucessivas campanhas de marketing político inconsequente e esvaziado de conteúdo operacional quiseram alcandorar Coimbra como Cidade Museu, capital da Cultura, capital da Saúde e do Conhecimento. Como corolário, Coimbra arrisca-se a ser, sobretudo a capital das oportunidades perdidas, da especulação imobiliária e do caos urbanístico.

Os dois últimos mandatos da maioria de direita, mais não fizeram do que prosseguir este rumo de governação autárquica ziguezagueante, caracterizado pela falta de transparência, de diálogo com a cidade, de incompetência, de nepotismo e clientelismo, gerando fortes fumos de corrupção. De que são exemplos paradigmáticos as ligações tóxicas estabelecidas entre a Câmara, o futebol e os interesses da construção imobiliária, consubstanciadas, nomeadamente, no caso do Eurostadium ou dos Jardins do Mondego, ou ainda as nebulosas negociatas que envolveram o caso da venda do edifício dos Correios, ou a construção do estacionamento da Bragaparques. Todos estão ligados por um denominador comum indissociável: foram negócios que geraram fortes proventos, lesando interesses da cidade, dos cidadãos e do Estado.

Coimbra não pode ficar condenada a refém da mediocridade e da incompetência dos que comandam e têm comandado os seus destinos. Seja rosa ou laranja, “com ambição”, “com amor”, ou “com trabalho” o que estes senhores têm para dar a Coimbra é mais do mesmo, a evolução na continuidade. São as únicas forças políticas que na história da democracia geriram os destinos da cidade. Tiveram a sua oportunidade e os resultados estão à vista de todos e de todas.
Nos próximos dias vão intensificar a venda da banha da cobra, fazendo promessas mil que durante duas décadas instalados no poder não foram capazes de desenvolver. As suas propostas programáticas reluzem como as pirites, procurando fazê-las passar por ouro que só pode enganar os tolos, está bom de ver!

Parece que até já os estamos a ouvir cantar em coro: Agora sim com amor. Agora sim, com ambição, Agora sim, com trabalho, Agora sim damos a volta a isto! … Agora não, que é hora do almoço... Agora sim, temos a força toda! … Agora não, que me dói a barriga... Vão sem mim, que eu vou lá ter.

Coimbra não necessita de loas de amor, nem tão pouco de proclamada ambição, ou da promessa de aeroportos e muito menos de pimba Pratas a brincar aos independentes com rios de dinheiro para gastar, sabe-se lá de onde vem?! -

Do que Coimbra precisa é de um projecto de ruptura com o paradigma de governação que pouco ou nada tem variado com as mudanças cromáticas que do rosa ao laranja têm ocupado a Câmara municipal.

Do Bloco de Esquerda todos e todas sabem o que esperar: Exigência Rigor, Transparência, coerência de projecto e de ideias.

Tal como há quatro anos atrás, o Bloco de Esquerda afirma claramente ao que vem e o que o move: queremos uma outra Coimbra, mais e melhor cidade; mais e melhor cidadania, mais e melhor participação cidadã, mais e melhor democracia.

Para isso necessitamos de:
- mais reabilitação urbana no centro e menos expansão do betão para as periferias;
- mais capacidade de atracção e rejuvenescimento do centro, com qualidade de vida;
- mais e melhores políticas sociais que respondam às necessidades dos mais carenciados;
- mais e melhor dinamismo associativo cultural e criativo;
- mais e melhor capacidade geradora de inovação criativa e desenvolvimento científico-tecnológico potenciadores de desenvolvimento económico;
- mais e melhor educação e formação que responda de forma eficaz e moderna às necessidades das nossas crianças e jovens;

Queremos:

- uma cidade com uma gestão mais democrática, transparente e aberta ao diálogo com a cidade e à participação dos munícipes;
- uma cidade que se pense e projecte de forma planeada, coerente e harmoniosa e equilibrada na sua relação com as periferias e concelhos limítrofes, e não uma cidade que vampiriza os espaços verdes agrícolas e florestais, criando mais desequilíbrios e problemas à cidade e à qualidade de vida dos cidadãos;
- uma cidade que não seja refém dos interesses da construção e especulação imobiliária;
- uma cidade que não aliene e vampirize os espaços públicos a favor de interesses privados, mas antes os requalifique conferindo-lhes qualidade e sentido de urbanidade;
- uma cidade mais limpa, mais verde e mais respeitadora dos equilíbrios ecológicos e ambientais, e não uma cidade que fere as suas entranhas com destruição do Choupal e atravessamento desnecessário de trânsito pesado;
- uma cidade que recupera e valoriza o seu património monumental e arquitectónico, dando-lhe vida e restituindo-lhe funções;
- com mais mobilidade e melhor qualidade dos transportes públicos;
- mais solidária, tolerante e inclusiva que faça da sustentabilidade social não um slogan mas uma prática a prosseguir;
- uma cidade em que a democracia, na sua verdadeira acepção etimológica se torne um verdadeiro exercício de participação cívica. Por isso pugnamos pelo orçamento e planeamento participativos. Para que os munícipes possam ser ouvidos e possam deliberar sobre as prioridades de investimento na cidade;

- com elevada qualidade de vida, criativa e moderna, que se afirme como pólo cosmopolita dos saberes, da tecnologia e da cultura, capaz de atrair e fixar os mais jovens.

Estes não são meros enunciados vazios de conteúdo, mas antes um programa de acção para a transformação muito concreto.

Coragem para mudar é a nossa proposta e o nosso apelo

É tempo de mudar de políticas e de protagonistas e o Bloco é a única força em condições para o fazer, não só pelo seu programa e coerência na oposição, mas também pela sua capacidade de abertura ao diálogo descomplexado e à construção das convergências dos vários activismos políticos e cívicos necessários para operar as rupturas que se impõem.

Coragem para mudar com uma esquerda de confiança.
Coragem para mudar, os protagonistas e as políticas.

As candidaturas do Bloco de Esquerda constituem, hoje, uma alternativa de esquerda, combativa e credível, disposta a romper com o paradigma e práticas políticas que têm dominado o governo da cidade, vergando-a aos interesses dos poderosos lobbies da especulação imobiliário-financeira.

Nós vamos à luta, para mudar este estado de coisas. Contem connosco!

HOJE! FRANCISCO LOUÇÃ EM COIMBRA

Pelas 14.30, Francisco Louçã, José Manuel Pureza (deputado eleito por Coimbra), Catarina Martins (candidata à Câmara Municipal de Coimbra) e Serafim Duarte (candidato à Assembleia Municipal de Coimbra) visitam a Associação Integrar.